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[ Mobilidade ] -- 19/10/2021
[ Texto: 528 Comunicação Com Propósito / Foto: Scania ]

Mobilidade urbana: novidades, dúvidas e perspectivas

O que está acontecendo no setor de mobilidade urbana e quais as perspectivas para o futuro? É o que você confere neste bate-papo da Scania com quem mais entende do segmento de ônibus: o cliente.
Não é novidade que o segmento de mobilidade urbana passou por uma forte crise com as limitações impostas pela pandemia de Covid-19. Com o isolamento e o distanciamento sociais, o transporte rodoviário e também o urbano sofreram as consequências com a queda do número de passageiros e viagens. Além dos operadores de transporte, isso também afetou as empresas e indústrias que abastecem esse mercado.
Mas, apesar desse cenário, já é possível enxergar alguns bons sinais de recuperação e de vida nova para o setor. Para falar de futuro e das perspectivas bastante otimistas para o último trimestre deste ano e início de 2022, a Scania realizou um encontro com quem mais entende do mercado de ônibus e mobilidade no Brasil: o cliente.
Scania e Grupo JCA falaram sobre a chegada de 159 novos ônibus da marca para a renovação da frota do Grupo, a expectativa de aumento de 40% no número de viagens de ônibus e a parceria para uma demonstração com um ônibus movido a gás (natural e/ou biometano), prevista para o início no primeiro semestre de 2022.
O início dessa retomada do mercado de ônibus rodoviários anima a Scania e intensifica a parceria com os clientes para o setor ficar mais fortalecido. “Estão voltando as procuras dos clientes para efetivar compras e planejar entregas para o ano que vem. É um processo gradual que deverá permanecer ao longo de 2022. Imaginamos que uma recuperação efetiva do setor ainda leve pelo menos dois anos”, salienta Silvio Munhoz, diretor de Vendas de Soluções da Scania no Brasil.
Além dessas novidades, o encontro promoveu um bate-papo entre os interlocutores Silvio Munhoz, diretor de Vendas de Soluções da Scania no Brasil, e Gustavo Rodrigues, diretor-presidente do Grupo JCA. Reunimos os principais diálogos para trazer ainda mais clareza sobre o que está acontecendo no setor e o que ainda está por vir nos próximos meses. Confira:
O Grupo JCA já tem intenção de compra para o ano que vem? E a Viação Cometa voltará a ter predominância de frota Scania?
Gustavo Rodrigues: Sim, estamos planejando fazer a renovação de frota no próximo ano. Não temos decisão de exclusividade, aplicamos a metodologia do custo total de propriedade a cada renovação e lançamos esse desafio a todos os fornecedores. Buscamos sempre a rentabilidade e a otimização das nossas operações.
Com a sustentabilidade como foco das empresas, algumas já investem nos elétricos. A Scania irá lançar o modelo num futuro próximo?
Silvio Munhoz: Num futuro próximo não. Temos o ônibus elétrico rodando na Europa, tanto intermunicipal como urbano. São alternativas bastante caras para a realidade econômica do Brasil, não só para a Scania, mas com qualquer outro produto de transporte pesado. Então não encaixa na realidade tarifária brasileira e isso tem que passar por subsídios, sem contar na infraestrutura de abastecimento. Abastecer um carro elétrico é um cenário, abastecer uma frota inteira de ônibus é outro. Mas não precisamos esperar pelos elétricos para colocar sustentabilidade nas operações. Mesmo na Europa, onde já existem os elétricos, ainda se vendem muito mais ônibus a gás que elétricos.
Em Paris, por exemplo, a frota a gás é muito maior do que a frota elétrica. Isso acontece porque o gás fecha a conta e o elétrico não. Dependendo da fonte do gás, no caso do biometano, ele é ainda mais sustentável do que o modelo elétrico. Vai chegar o momento do Brasil de ter a eletricidade como fonte, o mercado de baterias vem sendo desenvolvido para diminuir carga morta que o ônibus elétrico movimenta. Acredito que deve demorar de cinco a nove anos para vermos essa tecnologia se desenvolver em escala no mercado brasileiro, mas nesse tempo temos que trabalhar para melhorar a questão de poluição global e local, especialmente na aplicação urbana, em que o gás dá um salto em sustentabilidade em relação ao diesel - biometano nem se fala.
Pela conectividade Scania, é possivel identificar quantos ônibus estão parados nas garagens dos operadores?
Silvio Munhoz: Pelas geocercas digitais, podemos sim identificar. Podemos fazer as geocercas na garagem do cliente assim como temos nas nossas concessionárias. Então a partir do momento que o cliente autorize, sim podemos criar essas geocercas e medir com a conectividade quantos ônibus estão ainda continuam parados.
É possível imaginar motor movido a GNL (gás natural liquefeito) em operações de rotas de longas distâncias?
Silvio Munhoz: É possível, na Europa já comercializamos veículos de longa distância movidos a GNL. O único senão é se a linha tem muita bagagem ou não. O GNL ocupa mais espaço de bagagem na área do bagageiro. Mas tirando esse fator, é extremamente viável rodar na versão GNL. Vale lembrar também que no Brasil a distribuição do GNL ainda é muito precária. Então seria necessário instalar bases de distribuição que não são tão simples como as do GNV.
Gustavo Rodrigues: Como operadores, temos que considerar a disponibilidade do veículo e a otimização e utilização máxima do chassis. Temos que ter a certeza de que conseguiremos fazer o reabastecimento da frota e em quais pontos e localidades, além do valor do investimento. É nesse projeto que estamos embarcando com a Scania como parceira com o ônibus a gás. Não bastará apenas a autonomia do veículo, mas que ao chegar no destino ele possa ser abastecido e fazer a viagem, trazendo eficiência para a operação.
Para o teste com ônibus a gás, a infraestrutura de abastecimento será própria?
Silvio Munhoz: Estamos começando a planejar a prova de conceito com o time da JCA. Vamos fazer a operação no estado de São Paulo, onde o abastecimento já está disponível, não próprio, porque nessa rota já temos muitos caminhões a gás circulando e essa cadeia de distribuição já se desenvolveu. Mas nosso objetivo é pegar uma rota com média de quilometragem alta, é uma prova de longo prazo. Vamos produzir um ônibus exclusivamente para o Grupo JCA, com especificações e configuração específicas da JCA para que tenhamos tempo de construir um caso de negócio comprovado, com resultados positivos para alicerçar decisões futuras do Grupo nessa direção.
Qual a disponibilidade de créditos para as empresas de ônibus em virtude do cenário atual do setor?
Gustavo Rodrigues: Temos uma participação pequena no segmento de operações urbanas e mais relevante no rodoviário e fretamento. Tivemos sim no início da pandemia notícias de dificuldades enormes de acesso a crédito. O setor de serviço público urbano já vinha enfrentando dificuldades antes e se agravou com a pandemia. Para essa compra, acessamos linhas de crédito e financiamos o investimento na ordem de R$ 180 milhões para essa compra atual.

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