Jornada Scania
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[ Acontece na Scania ] -- 14/01/2026
[ Texto: 528 - Comunicação com Propósito / Fotos: Scania ]

Mecânico de veículos pesados: por que essa profissão precisa — e merece — ser vista com outros olhos?

Novo ano, novos desafios e muitas oportunidades pela frente. Com 2026 começando, a Jornada Scania traz um panorama sobre a profissão de mecânico de veículos pesados, destacando desafios, demandas e oportunidades em um setor que segue em transformação
Quando se fala em futuro do transporte, é comum pensar em caminhões conectados e inteligentes. Mas existe um ponto essencial dessa transformação que ainda recebe menos atenção do que deveria: quem mantém tudo isso em perfeito estado para que o veículo se mantenha na estrada. O mecânico deixou há muito tempo de ser apenas o profissional que “coloca a mão na graxa”. Hoje, ele é peça-chave de um setor cada vez mais tecnológico e estratégico.
Ao mesmo tempo, o Brasil vive um cenário desafiador. A população economicamente ativa cresce em ritmo mais lento, há menos jovens entrando no mercado de trabalho e as novas gerações buscam profissões com propósito, aprendizado contínuo e boas condições de trabalho. Nesse contexto, a profissão de mecânico enfrenta um paradoxo: a demanda aumenta, mas faltam profissionais qualificados — e informação.
Para jogar luz sobre esse tema, entender os desafios do mercado e, principalmente, mostrar as oportunidades reais de carreira, a Jornada Scania conversou com Maria Luiza Delavy, diretora da área de Pessoas e Cultura da Scania Operações Comerciais Brasil, que explica por que essa profissão está passando por uma transformação profunda — e por que pode ser um caminho promissor para quem busca desenvolvimento, estabilidade e futuro. Confira!
Por que a Scania tem olhado com tanta atenção para a profissão de mecânico de veículos pesados?
Porque existe uma mudança estrutural acontecendo. Estamos falando de um mercado com menos pessoas entrando no mundo do trabalho, ao mesmo tempo em que a tecnologia dos caminhões evolui muito rápido. Isso faz com que a profissão exija mais conhecimento, mais qualificação e, consequentemente, se torne mais valorizada.
“A mensagem é clara: quem quiser continuar na profissão de mecânico terá que estudar. Isso não vale só para a Scania, mas para o mercado como um todo. A evolução tecnológica exige reciclagem constante.”
Hoje falta mecânico no mercado?
Falta — e não é só na Scania. Estimamos cerca de 500 vagas abertas para mecânicos de veículos pesados no Brasil, considerando o mercado como um todo. Na rede Scania, temos cerca de 1.300 mecânicos atuando e somente nas concessionárias próprias, que chamamos de Casas Scania Cativas, 217 profissionais. Além disso, temos uma média de 20 vagas abertas por mês.
Por que está cada vez mais difícil encontrar esses profissionais?
Existem vários fatores. Temos menos jovens chegando ao mercado, mais concorrência com outras profissões, crescimento do trabalho remoto — que não existe na rotina do mecânico — e uma mudança no perfil das novas gerações, que buscam flexibilidade, propósito e desenvolvimento. Além disso, as escolas técnicas já não conseguem atender toda a demanda, e muitos cursos deixam de abrir por falta de alunos.
Isso significa que o perfil do mecânico mudou?
Mudou completamente. O caminhão hoje é altamente tecnológico. Falamos de eletrônica, mecatrônica, sistemas digitais, diagnósticos avançados. O conhecimento que o profissional tem hoje pode não ser suficiente daqui a um ano. Por isso, quem quer seguir na profissão precisa estar disposto a aprender continuamente.
Então não basta mais a experiência prática de oficina?
Não. Colocar um profissional sem formação adequada para trabalhar em um caminhão de alta tecnologia representa risco e prejuízo. Hoje, para atuar nesses veículos, é necessário no mínimo uma formação técnica, além de capacitações constantes. Existe uma grande lacuna entre a demanda e a formação disponível no mercado.
Esse cenário tende a valorizar mais a profissão?
Sem dúvida. Quanto maior a especialização, maior o valor desse profissional. A tendência é de valorização salarial, melhores benefícios e mais reconhecimento. O mecânico de veículos pesados passa a ser um profissional diferenciado, assim como acontece em outras áreas técnicas de alta complexidade.
Como a Scania tem trabalhado para enfrentar esse desafio?
Estamos atuando em várias frentes. Uma delas é a formação de novos profissionais, olhando principalmente para o público não técnico: jovens do ensino médio, comunidades de baixa renda, pessoas em situação de vulnerabilidade, refugiados e escolas públicas. Queremos chegar a quem, muitas vezes, nem sabe que essa carreira existe ou que ela pode ser um caminho de crescimento.
Por que o foco não está apenas nas escolas técnicas?
Porque muitos alunos de escolas técnicas já chegam com um caminho profissional definido. Além disso, essas escolas hoje não conseguem atender a toda a demanda. Precisamos ampliar o olhar, formar desde o básico e também atualizar quem já está no mercado.
Quem já é mecânico precisa se preocupar?
Precisa se atualizar. A mensagem é clara: quem quiser continuar na profissão terá que estudar. Isso não vale só para a Scania, mas para o mercado como um todo. A evolução tecnológica exige reciclagem constante.
Maria Luiza Delavy
Maria Luiza Delavy, diretora da área de Pessoas e Cultura da Scania Operações Comerciais Brasil
Quais iniciativas a Scania tem lançado nesse sentido?
Há mais de três anos temos uma trilha de carreira para os mecânicos, para assegurar sua capacitação e qualificação profissional nos produtos e processos Scania. Em continuidade temos agora uma outra trajetória de carreira, que será implementada em 2026, a qual visa identificar os mecânicos potenciais e desenvolvê-los para ocupar outras posições na organização, nas áreas comercial ou técnica e também em posição de liderança. Também lançamos a Certificação do Mecânico Scania, com três níveis de graduação — Standard, Advanced e Expert — reforçando o reconhecimento e o desenvolvimento contínuos.
E a retenção desses profissionais?
Ela passa por vários pilares: ambiente de trabalho seguro, cuidado com a saúde física, emocional e psicológica, bons benefícios, melhoria contínua da remuneração e ações que envolvem a família. Queremos que o profissional olhe para o todo e veja valor em permanecer conosco.
Essa é uma profissão também para mulheres?
Com certeza. Hoje o trabalho não exige força física como no passado. A tecnologia mudou tudo. Temos mulheres em formação e atuando na área, e queremos cada vez mais ampliar essa participação, assim como já acontece com as motoristas.
Que mensagem fica para quem nunca considerou essa carreira?
Vale olhar com mais atenção para essa profissão. O mercado oferece diferentes níveis de atuação, e o mecânico Scania se destaca como um profissional altamente qualificado, preparado para lidar com tecnologia, aprendizado contínuo e desafios cada vez mais complexos. Muitas lideranças da empresa começaram sua trajetória na Scania como mecânicos. Trata-se de uma carreira sólida, com estabilidade, oportunidades reais de crescimento e caminhos claros de desenvolvimento.
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