Fórum Transporte Sustentável 2026: parcerias e ações concretas para o futuro do transporte
Em um encontro marcado por diálogo entre diferentes elos do setor e experiências de quem já vive a sustentabilidade no dia a dia de suas operações, o Fórum Transporte Sustentável 2026 reforçou que a transição energética no transporte saiu do discurso e começou a acontecer na prática
A Scania abriu as portas da sua “casa” para a nona edição do Fórum
Transporte Sustentável, transformando o auditório da fábrica em São
Bernardo do Campo (SP) em um verdadeiro ponto de encontro de parceiros com
o mesmo objetivo no transporte: acelerar a transição energética para o
setor no Brasil. Com o tema central “Transição Energética na Prática”, o
evento reuniu transportadores, embarcadores, operadores logísticos,
especialistas e representantes do sistema financeiro para transformar
discussões em ações concretas.
E o momento deste encontro não poderia ser mais simbólico: na semana que
comemorou os 69 anos de presença da Scania no país, a marca celebrou não
só sua história, mas o amadurecimento de uma estratégia que começou há dez
anos com um propósito claro: liderar a mudança para um sistema de
transporte sustentável.
"Hoje, depois de praticamente 10 anos plantando sementinhas sobre o
transporte sustentável, a gente consegue reunir representantes de todos
esses setores não mais para a gente discutir o que dá para a gente fazer
para transformar o futuro do transporte, mas para a gente discutir
questões na prática", afirmou Márcio Furlan, diretor de Marketing,
Comunicação e Experiência do Cliente da Scania Operações Comerciais
Brasil.
Pilares que guiam a jornada da Scania
O executivo reforçou os três pilares que guiam a Scania nessa jornada de
sustentabilidade: eficiência energética, combustíveis alternativos e
eletrificação, e transporte inteligente e seguro. “Investimos bilhões de
euros em uma nova plataforma a diesel enquanto o mercado falava só em
eletrificação. Hoje temos mais de 2 mil veículos a gás rodando no Brasil e
esse número vai crescer até o final do ano”, destacou Furlan.
Da teoria à prática
O primeiro painel - Transição energética na prática: eficiência,
infraestrutura e competitividade -, mediado por Rubens Filho, gerente
executivo de Meio Ambiente do Pacto Global Brasil, trouxe um panorama
sobre a descarbonização do transporte rodoviário, apresentando o Roadmap
de Descarbonização do Transporte Rodoviário, fruto do Hub Biocombustíveis
e Elétricos. O estudo indica que é possível evitar 72% das emissões até
2050, gerar 888 mil novos empregos e movimentar R$ 3,43 trilhões na
economia brasileira com a adoção combinada de tecnologias.
"A solução para a descarbonização não é única", resumiu Rubens Filho.
“Segundo a percepção das 80 empresas que participaram com a gente no Hub,
o desafio para a descarbonização é o financiamento, esse é o maior ponto
colocado por todo mundo, segue depois infraestrutura, regulação", pontuou.
Na sequência, Celso Mendonça, gerente de Sustentabilidade da Scania,
reforçou a mesma lógica: "Não existe uma solução única. A rota da
descarbonização passa pela substituição do diesel e exige uma série de
tecnologias — porque uma tecnologia única não nos dará o resultado
esperado". Mendonça também defendeu o papel do motor a diesel de alta
tecnologia em regiões onde não será possível adotar um combustível
renovável.
Jordano Bessa, diretor executivo comercial da
TransJordano, trouxe experiência de campo ao contar que a empresa montou pontos de
abastecimento em Cubatão, em Sumaré e em Ribeirão Preto.
Caetano Pasti Perin, consultor de logística da Suzano, foi direto: "A
gente não faz a descarbonização se não for economicamente viável. A
companhia testa alternativas — como GNV e aditivos — em rotas reais antes
de decidir qual solução adotar em cada operação”, comentou.
ESG que vira performance operacional
No segundo painel - ESG e performance operacional – inteligência aplicada
à logística e ao transporte -, coordenado por Rodrigo Arita, gerente de
Portfólio de Serviços e Conectividade da Scania Operações Comerciais
Brasil, a conversa girou em torno de inteligência aplicada à operação.
Claudio Adamuccio, CEO do Grupo G10 e Transpanorama, mostrou números
impressionantes: com telemetria, câmeras de fadiga e torre de controle, a
empresa reduziu acidentes de 0,40 para 0,15 por milhão de km rodados.
Victor Daniel, responsável pelo marketing da Prometheon na América Latina,
alertou para um detalhe que pesa no bolso: "Se você variar 10%" na
calibragem do pneu, você vai ter um consumo adicional de combustível de 1
a 3%", explicou. “A empresa está muito próximo de lançar no mercado pneus
que já saem sensorizados da fábrica", revelou, o que irá ampliar a gestão
conectada da frota.
Já Gustavo Rodrigues, CEO do Grupo JCA, falou de cultura e proximidade. “O
melhor investimento que o Grupo fez nos últimos 15 anos foi decidir tratar
o cliente como cliente e deixar de ser uma empresa de ônibus que
transportava passageiros", comentou. Além disso, o executivo contou que o
grupo criou o "papo do motorista", encontro mensal entre motoristas e
diretoria, como parte das ações de relacionamento da companhia.
Certificação: a prova que o mercado exige
O terceiro painel contou com a participação de João Maraújo, analista de
Relações Institucionais e Governamentais da Scania, e Luiz Gustavo
Monteiro, diretor de Operações da Transporte Cavalinho, e abordou a
comprovação e a certificação de sustentabilidade baseada em evidências.
Maraújo destacou três pilares da certificação: garantia de
rastreabilidade, comprovação de origem e garantia de processos auditáveis.
Na conversa, também alertou para o risco do "greenwashing" e afirmou que a
comprovação "pode ser capitalizada pelo ecossistema de transporte" —
abrindo caminho para um frete mais verde.
Monteiro retomou o propósito que guiou a Cavalinho desde 2010, em palavras
do presidente Paulo Ossani: "Nossa atividade é potencialmente nociva para
o meio ambiente, precisamos fazer alguma coisa". Hoje, a empresa tem selo
prata no Ecovadis, áreas de preservação na Amazônia e avança na
implantação de biometano.
O Fórum Transporte Sustentável 2026 deixou uma mensagem clara:
sustentabilidade deixou de ser discurso e virou estratégia de
sobrevivência, reputação e acesso a capital. As tecnologias existem, os
exemplos estão nas estradas e a parceria entre indústria, transportadores,
embarcadores e poder público é o caminho.
"Não basta ter um plano no papel, a gente precisa executá-lo. E a Scania
vem executando esse plano há muito tempo", encerrou Furlan.
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