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[ Sustentabilidade ] -- 06/06/2023
[ Texto: 528 Comunicação Com Propósito / Foto: Scania ]

Biometano: energia limpa em expansão

Como está a evolução dos pontos de abastecimento com esse combustível? Há investimentos para desenvolver essa cadeia? Será possível tornar mais limpo o transporte pesado no Brasil? Essas e outras perguntas são respondidas por um convidado especial e que entende do assunto. Confira!
Muito se fala no uso do biometano como uma alternativa de combustível mais limpo no transporte, especialmente em tempos em que termos como sustentabilidade e redução da pegada de carbono são as expressões da vez. O Brasil é um produtor potencial do ativo, que ainda não é, infelizmente, utilizado em larga escala. De acordo com a Associação Brasileira de Biogás e Biometano (Abiogás), o nosso país tem potencial de produção de 80 milhões de metros cúbicos por dia. Já imaginou tudo isso sendo, de fato, utilizado?
Muitas empresas já. Tanto que nos últimos anos tem crescido o interesse na produção desse ativo e na criação e expansão de redes de distribuição para que esse combustível mais sustentável esteja disponível nas estradas Brasil afora. Por outro lado, os transportadores também têm reconhecido a necessidade de renovarem suas frotas apostando em veículos que trazem consigo a tecnologia pronta para o uso do biometano, como é o caso do caminhão movido a gás natural e/ou biometano da Scania, para ajudarem a si próprios e aos seus clientes e embarcadores a atingirem suas metas de emissões de gases de efeito estufa.
Essa tendência reflete a busca por fontes de energia mais limpas e renováveis não só por questões ambientais quanto por uma maior conscientização sobre a importância da redução das emissões de gases poluentes, especialmente quando se fala em transporte pesado.
Mas, por onde começar? Onde é que está o biometano, afinal? O que está sendo feito para fomentar o uso desse ativo e quais são os gargalos para a implementação de uma rede de distribuição desse combustível?
Waner Labigalini, CEO da Gastech, responde a algumas dessas perguntas. A empresa, com matriz em Londrina, no Paraná, atende a cidade e toda a região com o fornecimento de gás natural desde 2006 e agora pretende também atender as demandas por biometano. A Revista Jornada teve a oportunidade de conversar com o executivo, que trouxe uma perspectiva mais detalhada sobre o assunto. Confira:
Como foi a decisão de investir no biometano e por quê?
Iniciamos com o gás e conseguimos, ao longo do tempo, consolidar o mercado de GNV. De uns três anos pra cá, começou a acontecer a transição do uso desse combustível para caminhões também. Por estarmos em uma região estratégica, em Londrina, no eixo São Paulo x Londrina e Londrina x Curitiba muitos caminhões estão começando a fazer uso de biogás e biometano. Então ali está sendo atrativo ofertar o biometano. As empresas que fazem grandes logísticas e as transportadoras fazem essa rota. A intenção é mapear esses pontos estratégicos, principalmente no Paraná para dar essa segurança e trazer mais autonomia, para que um veículo possa fazer viagens de 300 a 350 km entre cada ponto. Hoje estamos nesse gargalo, nesse limite para ser resolvido, mas já está sendo solucionado.
Qual o principal desafio para se estabelecer o biometano como combustível no Brasil?
A gente vê que a grande dificuldade é ter pontos de abastecimento para esse mercado começar. Antes, havia a dificuldade veicular, porque não tínhamos caminhões. Os carros já tinham uma certa mobilidade e o mercado cresceu de maneira diferente com os modelos flex. Então se não tinha o gás, o consumidor podia abastecer com gasolina ou álcool. Já o caminhão é diferente, não dá pra fazer dessa forma. Assim, ele ainda ficava muito atrelado ao diesel. Agora tem a tecnologia que permite a pessoa abastecer o caminhão com gás, mas vem o grande empecilho, que é ter mais pontos para abastecimento.
Qual o grande gargalo e quem é o principal impulsionador?
Impulsionador podemos dizer que ambos são: empresas e clientes. Hoje tudo depende de onde está a molécula (biometano) porque a rede de gasoduto é mais complexa para se ter um contrato de longo prazo. Em curto prazo, temos muita capacidade de produção de biometano. Mas muitas vezes o biometano não está perto de onde está o consumidor. Não adianta ter uma planta de biogás, querer produzir biometano para atender um único frotista porque a conta não fecha. Então, quando vem a concessionária, nesse ponto de vista, querendo garantir a compra dessa produção para reinjetar em rede ou outro tipo de modal, ela vai impulsionar não só o mercado local industrial, mas ser todo um guarda-chuva para o segmento veicular e para a frota de pesados. O produtor vai ser impulsionador, junto das associações e cooperativas. No oeste do Paraná, por exemplo, na região de Toledo, tem umas cooperativas gigantes, com grande potencial, mas é um mercado totalmente isolado. Outro público que impulsiona essa cadeia são os grandes consumidores desse perfil de caminhão pesado, que precisa fazer essa pegada de carbono e também reduzir o seu custo, porque ele vai ser muito beneficiado. Mas como tornar isso real, como fazer? Você tem um elo, que é o produtor, um elo que é a distribuidora, e um elo que é o consumidor que vai se aproveitar disso. É juntar todo mundo e entrar em conversa com as associações e as cooperativas, montar uma estratégia, ter um polo produtor do biometano e aí sim, consegue-se criar locais para abastecer. Então o primeiro problema é o suprimento, esse é o grande gargalo, encontrar o suprimento da molécula do biometano.
Isso sem falar no quanto esses investimentos também estimulam a economia, certo?
Sem dúvidas. Impulsiona a economia do local, a geração de empregos, a geração de renda para o município. Uma estrutura dessa onde você não traz o commodity de fora, mas sim está pegando o próprio commodity gerado no local e ficando ali, gerando receita e movimentando a região, forma-se uma cadeia: os custos de logística caem, você gera mais renda, gera também espaço para outros tipos de negócio que podem se instalar no local, fazendo todo um conjunto. É só começar que vai ser mais e mais desenvolvimento, com certeza.
O que a Gastech está fazendo nesse sentido?
Estamos agora fazendo uma força-tarefa para atuar com a concessionária local, que é a Compagas, para abrir pontos estratégicos e atender principalmente esse frotista que passa pela região. Automaticamente atendendo o frotista, atendemos o mercado veicular junto. Estamos vislumbrando essa questão da rota para criação dos corredores azuis para a distribuição do biometano. Esse é o caminho que esperamos.
E quais as perspectivas daqui em diante? O que podemos esperar?
De uns dois anos pra cá, o mercado está se movimentando bastante nesse tema. A ótica sobre o biometano mudou um pouco e as empresas começaram a ter uma visão com mais carinho sobre essa matéria-prima que é o biogás e o biometano, que a gente tem total condição de produzir. Mas, temos que sair do papel. Vejo uma movimentação muito positiva para se resolver, juntar todos os elos e todo mundo se conversar porque só nesse ponto, se solucionar a questão do suprimento da molécula em si - de modo geral, mas principalmente de biometano - o restante acontece automaticamente. Só temos que ter a segurança energética.

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