Jornada Scania
[ Fazendo História ] -- 06/08/2026
[ Texto: Simone Leticia Vieira / Fotos: Arquivo pessoal ]

Toda estrada ensina

Depois de ver o sonho da carreira militar ficar para trás, Cesar Augusto Alves da Silva encontrou na estrada muito mais do que uma profissão. Há 42 anos, a paixão pela Scania inspira uma trajetória marcada por aprendizado, responsabilidade e pelo compromisso de formar novos profissionais para um trânsito mais seguro
Nem todo sonho termina da forma como foi planejado. Alguns apenas mudam de estrada – e muitas vezes, ainda bem que mudam. Foi assim para Cesar Augusto Alves da Silva. Durante a juventude, ele acreditava que seu futuro seria na carreira militar. Filho de caminhoneiro, admirava o trabalho do pai, mas sonhava vestir uma farda e seguir para a Aeronáutica. Estudou, se preparou e chegou perto de realizar esse desejo. No entanto, durante os exames admissionais, descobriu que sua condição de visão — que exigia correção ocular — o impedia de seguir carreira como oficial. Em poucos minutos, o sonho construído durante anos precisou ser deixado para trás.
A notícia foi difícil de aceitar. De volta para casa, decidiu olhar novamente para a profissão que acompanhava desde menino e fez um pedido que surpreendeu até a própria família: queria ser motorista, como o pai. "Voltei para casa triste, mas decidido. Falei para o meu pai: ''Quero ser motorista igual a você.''", conta.
A mãe estranhou a decisão. O pai, ao contrário, enxergou ali um novo começo. Os dois compraram um caminhão, e Cesar iniciou uma trajetória que, mais de 42 anos depois, continua sendo escrita sobre o asfalto.
Quando a rota mudou
Foi justamente nesse período que nasceu outra paixão. Enquanto transportava cabines produzidas para a Scania, acompanhava de perto a movimentação da fábrica e, sempre que tinha uma oportunidade, fazia questão de entrar para observar os caminhões que estavam sendo lançados. Naquela época, a marca apresentava ao mercado os famosos Scania 112H, um modelo que despertava sua admiração.
"Eu montava naqueles caminhões e sonhava: um dia vou dirigir um caminhão desse", dizia Cesar.
O sonho demorou bem pouco para se realizar. Ainda muito jovem, ele foi escolhido para transportar peças de uma montadora, para a qual trabalhava, no trecho São Bernardo do Campo, em São Paulo, a Córdoba, na Argentina. O veículo da missão era justamente um Scania 112H amarelo. Ao assumir aquele volante, percebeu que talvez o sonho nunca tivesse acabado — apenas mudado de uniforme. "Eu me sentia o verdadeiro rei da estrada. Aquilo era um mundo para mim. Ali eu era o cadete da Aeronáutica", relembra.
Ao longo dos anos, Cesar passou por diferentes segmentos do transporte rodoviário. Conduziu caminhões cegonha, transportou bobinas de papel, aço, hortifruti, cargas para mineração e viveu experiências que poucos motoristas têm a oportunidade de contar. Entre elas, participou da operação logística que levou equipamentos e materiais da Fórmula 1 até o Autódromo de Interlagos, acompanhando de perto os bastidores de uma das maiores competições do automobilismo mundial.
Mas, para ele, o maior marco da carreira não foi uma carga especial. Foi descobrir que dirigir um caminhão significava muito mais do que conduzir uma máquina.
Alguns momentos históricos e marcantes da carreira, como durante o transporte dos equipamentos da Fórmula 1 de 2004 (foto do canto inferior à esq.)
Alguns momentos históricos e marcantes da carreira, como durante o transporte dos equipamentos da Fórmula 1 de 2004 (foto do canto inferior à esq.)
Outro ponto de vista
Essa mudança começou em 2006, quando ingressou no universo da mineração e recebeu um convite inesperado para participar da formação de Master Driver da Scania. Na época, Cesar não tinha ideia da dimensão daquele programa. Foram semanas intensas de treinamento, estudo e desenvolvimento técnico que mudaram completamente sua forma de enxergar a profissão.
"Ali nasceu uma nova visão do que era entender, conhecer e buscar capacitação. A equipe da Scania me fez perceber o quanto o conhecimento era transformador", revela.
Mas mais do que aprender sobre tecnologia, motores ou sistemas embarcados, Cesar descobriu que conhecimento também salva vidas. "Hoje eu digo que o trânsito pode ser uma máquina de matar. Eu faço parte das pessoas que trabalham para transformar esse mundo em um lugar melhor. Quem me ensinou isso foi a Scania", orgulha-se.
A partir dali, estudar deixou de ser uma etapa da carreira e passou a fazer parte dela. Vieram as formações de técnico em Segurança do Trabalho, técnico em Mineração, supervisor de movimentação de cargas, instrutor certificado e professor do Senai. Hoje, é onde ele se realiza profissionalmente e tem a certeza de que, mesmo que o sonho de ir para a Aeronáutica não tenha se concretizado, ele pode atuar como comandante ao treinar motoristas e operadores em grandes empresas do setor, multiplicando diariamente tudo o que aprendeu ao longo da estrada. "O mundo dos transportes precisa de pessoas capacitadas. Quem busca conhecimento está salvando a si próprio", ensina.
Cesar durante alguns dos treinamentos que ministra
Cesar durante alguns dos treinamentos que ministra
Conhecimento que transforma
Esse compromisso também o levou a participar de duas edições do concurso Melhor Motorista de Caminhão do Brasil. Em 2010, conquistou a 18ª colocação regional entre mais de 28 mil inscritos. Dois anos depois, voltou ainda mais preparado: ficou em primeiro lugar na etapa regional e terminou entre os oito melhores motoristas do país.
As conquistas abriram novas portas, mas reforçaram uma certeza que ele já carregava há muitos anos: o maior diferencial da Scania nunca esteve apenas na tecnologia, mas nas pessoas. "A forma como a Scania trata as pessoas. Ela pensa no motorista. Você vê isso no conforto, na ergonomia, na segurança. Mas, acima de tudo, a Scania trata pessoas como pessoas", destaca.
Essa percepção ajudou a construir uma relação que ultrapassou o ambiente profissional. Foi ela que fez nascer não apenas um motorista apaixonado pela marca, mas um profissional comprometido em compartilhar conhecimento e formar uma nova geração de condutores mais preparados e mais conscientes ao volante.
Uma paixão que fica
Cesar faz questão de participar de todas as edições da Fenatran, o maior evento do transporte de cargas e logística da América Latina, acompanha os lançamentos da marca e carrega no braço uma tatuagem com o famoso grifo da Scania — algo que jamais imaginou fazer. "Tenho o grifo da Scania tatuado no braço. Jurava que nunca faria uma tatuagem, mas se é Scania pode", afirma.
Cesar acompanha os lançamentos da marca e
Cesar acompanha os lançamentos da marca e carrega no braço uma tatuagem com o famoso grifo da Scania
E a paixão não dá sinais de que um dia terminará. "Só deixo de ser apaixonado pela Scania quando eu não existir mais nesse mundo", entrega.
Quem ouve essa fala do Cesar entende que essa frase vai muito além da admiração por caminhões. Ela resume uma história que começou com um sonho interrompido, que precisou mudar sua rota, encontrou um novo caminho na estrada e, ao longo de mais de quatro décadas, transformou um motorista em educador, um aluno em referência e uma paixão em legado.
Hoje, cada treinamento ministrado, cada motorista capacitado e cada orientação sobre segurança representam a continuidade daquela jornada iniciada ao lado do pai. Porque, para Cesar, dirigir um Scania sempre foi importante. Mas ajudar outras pessoas a conduzirem suas próprias histórias com responsabilidade tornou-se a sua maior missão.
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